"... Estou cercada de gente com os mesmos problemas e todos fingem que a vida continua como antes. Como eu. Como o meu vizinho. Possivelmente, como meu chefe e o homem que dorme ao meu lado. Depois de certa idade, passamos a usar uma máscara de segurança e certezas. Com o tempo, essa máscara gruda no rosto e não sai mais."
O livro de Paulo Coelho - Adultério - entra em um universo muito conhecido, mas pouco discutido. As únicas coisas em que se houve falar é: Fulano cometeu um adultério. Nossa ela(e) foi infiel ao marido/esposa. Uma pessoa tão boa não merecia uma traição dessas. Foi com aquele(a) que fulano(a) traiu, etc,etc, etc.
São infinitas as "frase" ditas nestes casos.
Mas poucos, e eu digo mesmo, poucos são os que procuram saber o porque do adultério. Quais foram os reais motivos para isso (não que motivo seja desculpa para trair).
Linda, nossa protagonista, uma jovem jornalista de 31 anos, bonita, sensual, mãe de dois filhos maravilhosos, bem sucedida financeiramente. Casada com um homem incrível, com defeitos (claro), mas cheio de qualidades também. Digamos, uma vida perfeita e invejável aos olhos de todos. Lendo sobre ela, descobri mais uma vez que nem sempre julgar é a melhor saída.
Como entender Linda... que tendo aparentemente tudo, foi capaz de cometer adultério? Isso mesmo... Adultério! E a cada página que lia procurava respostas aos seus motivos. Quais motivos seriam esses? Rotina.
- Toda manhã, quando abro os olhos para o que chamam de "novo dia", tenho vontade de fechá-los outra vez e não me levantar da cama. Mas é preciso.
- Mas desde que me casei, o tempo parou.
Claro que todos nós (ou a maioria) vivemos uma rotina, e até faz com que possamos organizar nossa vida. Mas no caso de Linda, mesmo podendo viajar sempre, a rotina a qual reclamava, era de sempre saber que tudo era previsível. Nada era por acaso, sem planejamento. Sempre os mesmo horários, mesmos afazeres, conversas, pessoas e até o mesmo jeito de fazer sexo. Tudo igual, sempre.
Mas então, porque não tentar mudar? Porque Linda achava que essa vida "perfeita", era perfeita. Achava que a infelicidade que sentia, mesmo estando feliz aos olhos de sua família e dos outros, era um exagero. Como Linda podia ter esses sentimentos contrários, ela mesmo achava que tinha tudo e não lhe era permitido pensar diferente. Absurdo? Não. Porque quando se tem uma vida perfeita, não nós damos o direito de achar que tem algo errado.
Mas como na vida há sempre o empurrãozinho do destino, Linda começa a "criar asas" e querer voar livre depois que reencontra um ex namorado da adolescência, Jacob. Um político em asserção, que tendo que entrevista-lo acaba despertando mais do que lhe era "permitido". A paixão.
" Quando amamos alguém, não nos contentamos em conhecer apenas sua alma; queremos saber como é seu corpo. Necessário? Não sei, mas o instinto nos leva a isso. E não tem hora para que aconteça, nem regra que mereça ser respeitada. Nada melhor que a descoberta, a timidez perdendo espaço para a ousadia, os gemidos baixos se transformando em gritos ou palavrões...
E aí, eu não acreditei no que estava lendo, porque além da entrevista teve mais, muito mais...rs.
E agora? Depois de tudo o que aconteceu, como lidar com esse novo sentimento, que até então estava adormecido para Linda. Ela amava seu marido (mas convenhamos que amor e paixão são dois sentimentos completamente opostos, não!?).
Até onde Linda iria com esse turbilhão de sentimentos invadindo seu corpo, tudo de uma vez só. Desejo, prazer, fogo/tesão, paixão...
Como deixar isso pra trás e seguir adiante com sua vida "de sempre"? Ainda mais depois do que aconteceu entre ela e Jacob? Sua mente dizia que não, mas seu corpo desejava tudo de novo.
Uma história pra ser lida e refletida, porque no caso de Linda, o que você faria?
" É possível se educar para amar o homem certo? Claro que sim. O problema é conseguir esquecer o homem errado, que entrou sem pedir licença porque estava passando e viu a porta aberta."